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Day trips & escapes

Santa Catarina de carro: um roteiro de 3 dias pela Serra Catarinense

Um circuito de 420 quilômetros pela serra com 11 paradas fixas, tempos de estrada honestos e onde dormir a cada noite.

Day trips & escapes2026-02-11
Estrada de montanha sinuosa subindo por floresta de araucárias na Serra Catarinense acima de Urubici

Dia 1 pela manhã: Florianópolis a Alfredo Wagner

Saia de Florianópolis até as 07:30 para livrar a BR-282 antes do trânsito de caminhão engrossar. Os primeiros 90 quilômetros até Rancho Queimado são pista dupla rápida, aí a estrada estreita e começa a subir. Pare nas bancas de morango de Rancho Queimado no km 85 — R$15 compram um quilo na safra (agosto a novembro), e o café das padarias de beira de estrada sai por R$4 com uma fatia de cuca. Daqui até Alfredo Wagner são mais 40 minutos de curvas. Não passe de 60 km/h na descida para o vale do Rio Itajaí; as defensas são novas, mas o barranco é real, e a neblina costuma ficar no vale até as 10:00.

Alfredo Wagner em si é cidade de combustível e almoço, não destino. Encha o tanque aqui — o próximo posto confiável fica 90 quilômetros à frente, em Bom Retiro — e coma num dos por-quilo da avenida principal por R$55 por pessoa. A Cascata do Avencal, 12 quilômetros fora da estrada por uma estrada de terra bem cuidada, vale o desvio: uma cachoeira de 100 metros com uma via ferrata que sai por R$180 com guia. Reserve duas horas incluindo a ida e a volta. Vise estar de volta na BR-282 até as 14:30 para chegar a Urubici com luz.

Dia 1 à tarde: a subida até Urubici

O trecho de Bom Retiro a Urubici são os 70 quilômetros mais bonitos do estado e o trecho em que os motoristas erram. A estrada sobe de 900 a 1.400 metros numa série de ferraduras, e a temperatura cai oito graus na subida. Em julho, dá para estar 4°C no alto quando estava 18°C embaixo, então deixe um fleece no chão do passageiro em vez de no porta-malas. Dois mirantes valem a parada: o acesso ao Morro da Igreja no km 217 (uma alça de 22 quilômetros, então guarde para o Dia 2) e o desvio sem nome no km 231, onde todo o vale do Rio Canoas se abre.

Chegue a Urubici até as 17:00. Durma numa das pousadas ao longo da SC-370 rumo à Serra do Corvo Branco — as que ficam entre dois e cinco quilômetros de saída da cidade estão sobre propriedades rurais em atividade, custam de R$380 a R$550 a noite com café da manhã e têm lareira a lenha que você vai usar mesmo em março. Na cidade em si as opções são mais baratas (R$220 a R$300), mas você perde o silêncio e a vista de estrelas. Jantar é truta em qualquer dos restaurantes especializados perto da Praça Anita Garibaldi, R$85 pelo peixe inteiro com polenta e salada.

Dia 2: Morro da Igreja, Pedra Furada e a rota do vinho de São Joaquim

Comece o Dia 2 às 07:00 para chegar à porteira do Morro da Igreja antes de a janela da neblina fechar às 09:00. A estrada de acesso de 22 quilômetros é asfaltada até a portaria do parque (R$25 por pessoa) e depois mais dois quilômetros de cascalho ruim — carro normal passa devagar, mas evite após chuva forte. O mirante da Pedra Furada fica a 1.822 metros, o ponto mais alto do sul do Brasil acessível por carro, e o arco natural na rocha emoldura uma queda vertical no vale do Rio Pelotas. Reserve 90 minutos no local incluindo a caminhada a partir do estacionamento. Numa manhã limpa você vê 60 quilômetros; numa ruim, 20 metros.

De volta por Urubici, pegue a SC-438 rumo a São Joaquim. Esta é a região vinícola mais alta do Brasil, plantando Sauvignon Blanc e Pinot Noir acima de 1.200 metros, e quatro vinícolas recebem walk-ins com uma hora de aviso. Reserve a Villa Francioni pela arquitetura (tour e degustação de quatro vinhos, R$120), a Suzin pelo clima familiar (R$60 com tábua de queijos) e almoce na que tiver cozinha aberta naquele dia. Chegue a São Joaquim até as 17:00. Durma na cidade num dos hotéis de faixa média perto da Praça João Ribeiro por R$320 a noite, ou 15 quilômetros fora numa pousada de fazenda de maçã por R$450.

Dia 3 pela manhã: Serra do Rio do Rastro

Este é o dia em que o roteiro justifica a fama. Saia de São Joaquim até as 08:00 pela SC-390 rumo a Bom Jardim da Serra. A cidade fica a 40 quilômetros e uma hora de estrada fácil; pare no Mirante da Serra do Rio do Rastro antes da descida para um café (R$6) e para checar se a estrada abaixo está limpa. Se você consegue ver o fundo do vale, desça. Se a nuvem está pousada na escarpa, espere 40 minutos — geralmente sobe até as 10:30.

A descida em si tem 12 quilômetros e cai 1.000 metros numa sequência de curvas em U que fizeram a estrada famosa. Faça toda ela em segunda marcha, não use freio para segurar velocidade (vai perder eficácia) e pare em cada um dos quatro mirantes sinalizados, porque cada um enquadra as curvas abaixo de um ângulo diferente. Motociclistas fazem essa estrada como peregrinação e tratam curvas cegas como propriedade privada; dê espaço. No fim, Lauro Müller não tem nada de especial, mas tem posto e um buffet de almoço decente por R$50.

Dia 3 à tarde: volta ao litoral por Orleans e Tubarão

De Lauro Müller, a SC-390 segue por Orleans, onde o Museu ao Ar Livre Princesa Isabel guarda um moinho de água em funcionamento e uma feira ítalo-alemã aos domingos que rende 45 minutos se você acertar o horário (entrada R$15). Caso contrário, siga direto até Tubarão, 60 quilômetros de estrada plana por campo, uma hora tranquila. Tubarão não é parada, é decisão: a BR-101 ao norte de volta a Florianópolis tem 130 quilômetros e leva pouco menos de duas horas em trânsito normal, ou você vira ao sul por mais 40 minutos e encerra a viagem na praia em Garopaba ou na Praia do Rosa.

Se seu voo é no fim da noite do dia seguinte, o final na praia é o melhor — você troca um desvio litorâneo apressado por uma manhã lenta à beira do mar. Durma no Rosa numa das pousadas acima da Praia Vermelha, aproximadamente R$480 a R$650 na baixa temporada, e dirija os últimos 90 minutos ao aeroporto no Dia 4. Se precisa estar de volta em Florianópolis hoje, mire sair de Tubarão até as 15:30 para chegar à ilha antes de escurecer; a BR-101 é mais segura com luz do dia e os pedágios somam R$28 em dinheiro ou tag.

Quanto o roteiro efetivamente custa

Três dias de combustível para um sedan pequeno fazendo o circuito completo de 420 quilômetros mais o desvio ao Morro da Igreja sai por cerca de R$380 nos preços atuais. Os pedágios somam R$52 na ida e volta. Duas noites em pousada de faixa média — uma em Urubici, uma em São Joaquim — totalizam R$780. Três almoços a R$55, dois jantares a R$85 e cafés da manhã inclusos deixam a comida em R$335. Degustações de vinícola e a entrada do Morro da Igreja somam R$205 por pessoa. Isso dá R$1.752 total para um viajante, R$2.400 para dois dividindo quarto. Some R$120 por dia se você quiser comer nos restaurantes mais caros de São Joaquim, dos quais três valem o dinheiro.

O aluguel do carro em si é a variável que muda tudo. Um Onix ou Argo básico saindo do aeroporto de Florianópolis vai de R$140 a R$180 por dia na baixa, R$240 em janeiro. Pegue o menor carro em que couber — as estradas de montanha recompensam uma entredistância curta e castigam qualquer coisa mais larga que um Toyota Corolla nas curvas mais fechadas da Serra do Rio do Rastro. Seguro completo é inegociável nesse roteiro; as pedras na estrada de acesso ao Morro da Igreja comem pneu, e um único corte de lateral num contrato de franquia compartilhada custa mais do que os três dias inteiros de aluguel.

Quando fazer esse roteiro e quando não

Abril a junho e setembro ao começo de novembro são as janelas honestas. Temperaturas em altitude ficam entre 6°C à noite e 20°C durante o dia, as estradas estão secas e as janelas de neblina são curtas o bastante para se planejar em cima. Julho traz geada, neve ocasional no Morro da Igreja e a multidão turística que vem para ver — as tarifas de hotel dobram, os restaurantes exigem reserva com uma semana, e a Serra do Rio do Rastro às vezes fecha por gelo. Dezembro a março é quente, mas úmido; as curvas viram genuinamente perigosas em chuva forte, e as vistas somem atrás de nuvem baixa por dias.

Não tente esse circuito num único dia longo. Já foi feito — 14 horas de volante é tecnicamente possível — mas você perde todos os mirantes que fizeram as estradas famosas e chega em casa mais cansado do que quando saiu. Duas noites é o mínimo. Três noites, adicionando um segundo dia em Urubici para a Cascata do Rio dos Bugres e a trilha do cânion do Bugre, é a versão que faz as pessoas irem para casa já planejando voltar. Mais do que isso e você deveria estar adicionando o litoral, não mais tempo de montanha; o planalto recompensa foco, não permanência.

Bom saber

Perguntas frequentes

A Serra do Rio do Rastro é segura em carro de aluguel comum?

Sim, em tempo seco e com luz do dia, em segunda marcha, com motorista que já pegou estrada de montanha antes. É uma pista dupla asfaltada com defensas. Evite em chuva, evite depois do escuro e não tente se seus freios cantam no plano — vão perder eficácia na descida.

Posso fazer o roteiro no sentido inverso, do litoral para a montanha?

Pode, e coloca a subida da Serra do Rio do Rastro no Dia 1 em vez do Dia 3, o que alguns motoristas preferem. A contrapartida é que você chega a Urubici já cansado e perde a aclimatação que a subida mais suave pela BR-282 oferece. Ambos os sentidos funcionam; o horário é a escolha mais comum.

Preciso de 4x4 em algum trecho?

Não. Toda estrada do roteiro é asfalto ou cascalho bem cuidado que um Fiat Argo faz sem drama. A única exceção são os dois últimos quilômetros até o mirante do Morro da Igreja após chuva forte, quando os sulcos ficam fundos — nesse caso, pare no último trecho seco e caminhe os 20 minutos restantes.

Tem sinal de celular no caminho?

Irregular. Vivo e Claro cobrem as cidades e cerca de 70% da BR-282. A estrada de acesso ao Morro da Igreja e a descida da Serra do Rio do Rastro têm zonas mortas longas. Baixe mapas offline em Florianópolis antes de sair e avise alguém sobre seus pontos de pernoite.

Fazer o bem é o negócio: cada reserva pela Stay Santa Catarina financia uma tonelada verificada de remoção de carbono — mesmo quarto, mesmo preço, sem acréscimo.

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